Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
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Por: Ana Cristina Rodrigues
Editora: A1, 2009, 1ª edição
90 páginas

Com o sub-título de "Pequenos contos mágicos", a coletânea - primeiro livro "solo" de Ana Cristina - apresenta exatamente isso: textos rápidos, bem escritos, que transportam o leitor a um mundo de fantasia; mas sem com isso perder a veia irônica e sarcástica característica da autora.


Ana Cristina é uma das poucas pessoas multitarefa e onipresentes do "cenário" de literatura fantástica no país. Presidente do Clube de Leitores de Ficção Cientifica (CLFC); palestrante; divulgadora de obras; fundadora e coordenadora da Fábrica dos Sonhos - um coletivo virtual de escritores; organizadora da coletânea "Espelhos Irreais"; "owner" - ou principal moderadora - da maior comunidade de ficção científica, em português, no Orkut. Dá para passar horas conversando com a Ana sobre as diversas atividades dela - e eu só listei algumas das atividades relacionadas com o "gênero fantástico". Ela ainda trabalha, estuda, é mãe, esposa e cuida de um número flutuante de gatos. Ah, eu mencionei os - no plural mesmo, pois são vários - twitters e blogs? Não? Estão linkados ali no "Veja Também".

Com tantas atividades, é de espantar que sobre tempo para que ela produza literatura, ainda mais com qualidade. Mas, de alguma forma inexplicável, Ana Cristina trabalha em um romance, com título provisório de "Finisterra", participa como autora em diversas coletâneas e ainda publicou em março o ótimo "AnaCrônicas - Pequenos contos mágicos", com capa e diversas ilustrações de Estevão Ribeiro e apresentação de Octavio Aragão.

Uma coletânea honesta, singela e corajosa

Os vinte contos falam de reinos distantes e homenageiam clássicos da literatura fantástica e da fantasia, mas também falam ao presente, tanto por figuras de linguagem como por descrições iluminadas de fatos reais. É o caso do melhor conto do livro, "O mapa para a terra das fadas", em que uma mãe ajuda o filho a lidar com o luto por perder seu coelho de estimação.

"O mapa..." não é o melhor conto apenas pelo componente tocante - fica claro que a história tem bases reais e aconteceu com a autora e seu filho - mas por ser escrito sem os sentimentalismos baratos e sem os clichês que poderiam acometer um autor ao escrever sobre uma experiência pessoal deste tipo. O conto tem o tamanho e ritmo certos, algo que, ainda bem, acontece com outras histórias do livro.

É também em "O mapa..." que Ana Cristina mostra a que veio. O conto tem a honestidade e coragem que são marca pessoal da autora. Ainda que algumas histórias soem amargas de tão irônicas, sarcásticas e ácidas, é na inocência, na singela coragem de ser honesta com sentimentos, impressões e homenagens que ela se destaca.

Fatos históricos e homenagens

"Os olhos de Joana", outro exemplo de conto com ritmo e tamanho exatos, apresenta um breve momento histórico recontado com maestria, mudando completamente a história como conhecemos em apenas seis páginas. Esta é uma habilidade na qual a autora deveria investir, basta lembrar o excelente "A Morte do Temerário", que resenhei em conjunto com os outros contos da coletânea "Espelhos Irreais".

Ana também brinca com a "história" - agora utilizando-a apenas como base para o cenário e situações, sem personagens famosos - em "A Princesa de toda a dor", narrativa em primeira pessoa, utilizando de folclore e elementos indígenas brasileiros; também em "Feitiço sem Nome", onde uma feiticeira, ou bruxa, é acuada por inimigos e se vê obrigada a reagir para proteger a vida... conto este que parece, ou poderia ser, uma continuação para o bom "Chiaroscuro", em que uma feiticeira em busca de vingança se vê envolvida de forma inesperada com um ser que convoca para ajudá-la - já "mini-resenhei" este conto aqui em fevereiro de 2008, mas a versão do livro apresenta um texto mais fluido e é superior ao conto on-line.

As homenagens também estão distribuídas pelas histórias, algumas explícitas, como em "É tarde!", conto de abertura, onde vemos o coelho branco correndo e tropeçando nos personagens consagrados de "Alice no país das maravilhas", tentando não perder a hora para entrar na história da literatura universal; em "A Dama de Shallott", uma visão interessante de um pequeno pedaço da tão visitada lenda do rei Arthur - e aqui, novamente, há de se louvar o fato da autora não cair no clichê previsível de Avalon e do foco nos personagens já conhecidos e desgastados.

Outros gêneros, ou gêneros misturados

Nem todos os contos, porém, falam de magia ou feitiçaria, nem estão calcados em homenagens ou momentos ou personagens históricos. "A casa do escudo azul", por exemplo, é uma ficção científica sobre a construção de um novo mundo utópico após a humanidade quase se exterminar em guerra. "Apocalipse NOW!", outro dos melhores contos do livro, também pode qualificar como ficção científica, com a ironia e sarcasmo afiados da autora no anúncio do evento mais esperado de todos os tempos.

Alguns contos misturam gêneros - fantasia e ficção científica - e homenagens, como acontece no "conto bônus", o excelente "O Sábio de Osgoroth", onde uma garota, um leão, um espantalho e um homem de lata procuram ter seus desejos incomuns atendidos. Já "Borboleta", "Pelo espaço de um momento" e "O último soneto" são contos que se passam em ambientes "reais" ou, ainda, atuais. Os três compartilham a nostalgia dolorida daqueles que amam, buscam algo inalcançável ou que buscam sem saber a que, descobrindo apenas no derradeiro momento - uma homenagem clara da autora ao romantismo?

Há ainda alguns mini-contos, como "Vida na estante" e "Deus embaralha, o Destino corta", que não consigo classificar em algum gênero, sendo contos despretensiosos ainda que bem escritos; assim como "O Senhor do Tempo", que poderia ser menos literal em favor de uma leitura mais rica. O amor que salva ao mesmo tempo que amaldiçoa é o tema de "Como nos tornamos fogo?" e do excelente "Lenda do Deserto". Já "O Baile das Máscaras" e "O Eremita" falam com ironia ácida sobre hipocrisia e decepção com a vida adulta, a vida "em sociedade".

Não apenas uma coletânea, mas uma declaração de princípios?

É possível notar desde o título que esta é uma coletânea pessoalíssima - e isso não é, de forma alguma, um defeito. Em lugar de uma pomposidade empolada, de uma pretensa aspiração aos píncaros da literatura nacional, Ana Cristina escolheu honestidade e crítica, sentimentos expostos e ilusões idem.

Talvez o mais significativo conto nesse sentido seja "Viagem à terra das ilusões perdidas", que está ali com "O mapa para a terra das fadas" como o melhor conto do livro. É um relato irônico e esperançoso, triste mas que mantém algumas portas abertas: paradoxal, enfim - como bem apontou Lúcio Manfredi em sua resenha.

"AnaCrônicas" fala de uma autora que vem amadurecendo seu texto diante do público, com muito trabalho mas também com talento, um potencial enorme que dá esperança de novas e excelentes histórias, tão boas quanto as desta coletânea, talvez o melhor livro de um autor iniciante no gênero fantástico nestes últimos - e "efervescentes" - meses.

Embora o encadernamento não seja a melhor coisa do mundo - e a falta de uma ficha catalográfica espante tanto quanto em "Espelhos Irreais" - o acabamento em geral não é ruim e a capa e as ilustrações de Estevão Ribeiro são ótimas. O livro pode ser comprado diretamente com a autora, na Livraria Cultura ou ainda na Leonardo da Vinci, custando meros 23 reais.

PS: a autora ainda disponibiliza no livro um e-mail para aqueles que quiserem receber material adicional referente ao livro. Ainda estou aguardando o meu, mas pelo que soube, vale a pena escrever e pedir o seu.

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Nesta terça-feira, 2 de junho, a escritora Giulia Moon convocou uma reunião de lançamento do número 25 do fanzine Scarium. Além de coordenar a edição, Giulia colabora com uma história em quadrinhos - sua primeira. A capa, de Alexandre Lancaster, é ótima e o conteúdo, com contos de Cristina Lasaitis, Marcelo Galvão, Martha Argel, Ana Cristina Rodrigues e outros, parece interessante. A edição tem como tema "Mulheres" e houve a habitual liberdade criativa aos colaboradores - com a condição de que houvesse elementos de horror na narrativa. Você pode comprar a Scarium 25 na loja virtual deles (link acima).

O lançamento foi divertido tanto por encontrar os amigos Galvão (e Daniela), Cristina Lasaitis, Richard Diegues (também colaborador desta edição da Scarium), Eric Novello e, claro, a Giulia. Causo também estava lá e tive o prazer de conhecer Nilza Amaral, mais uma das colaboradoras. O frio e provavelmente o dia da semana espantaram mais participantes, mas o evento valeu assim mesmo. A Giulia fez um post sobre o evento e publicou fotos no Flickr.

Você pode pegar o release com mais detalhes aqui. Assim que possível, devo resenhar essa edição (assim como as anteriores).

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Por: Aguinaldo Peres, Ana Carolina Silveira, Ana Cristina Rodrigues (também organizadora), Daniel Gomes e Roderico Reis
Editora: Multifoco, 2009, 1ª edição
188 páginas

Aviso: "Espelhos Irreais" terá lançamento em São Paulo no sábado, 9 de maio. Saiba mais.

Primeira coletânea impressa do coletivo "Fábrica do Sonhos", fundado em fevereiro de 2005 pela Ana Cristina Rodrigues (meu conto no volume 2 do Paradigmas teve sua primeira versão em um desafio promovido pelos "operários") é uma conquista e pequena mostra da qualidade que o grupo está alcançando.

A capa, bonita e com cores chamativas - criada por Estevão Ribeiro; a diagramação simples mas efetiva e a orelha escrita por Max Mallmann mostram o apuro e profissionalismo dispensados ao projeto. Só senti a ausência de uma ficha catalográfica, ainda mais que a Ana é uma historiadora que trabalha na Biblioteca Nacional. Mas, óbvio, nada que atrapalhe o livro.

O primeiro conto, "Os Três Trilios", de Aguinaldo Peres, reúne diversos elementos clássicos da fantasia - "buscas", dragões, reis, amores impossíveis, fadas. Mas o autor trabalha de forma inteligente, primorosa até, especialmente se levarmos em consideração as poucas páginas. A estrutura tem algo de fábula, o desenvolvimento é fluido e a história (ou as histórias, de cada um dos trilios), muito interessante. Fica o porém - nítido aqui, mas que repete-se pela obra - da revisão que poderia ter sido mais atenciosa.

Ana Cristina sucede-o com "A Morte do Temerário". Flutuando entre o real e a fantasia, o conto - muito bem escrito - retrata a morte de Carlos, Duque da Borgonha como um evento fantástico, envolvendo uma fênix, traições e grandes buscas por lugares mágicos e lendários. Novamente, a coletânea consegue inovar e surpreender em qualidade e temática, usando dos "clichês" do gênero com inteligência, para prender o leitor a uma boa história, misturando história real (e alternativa?) e gêneros.


Já "Bohtu e o elfo negro", de Roderico Reis, peca justamente por não inovar. É uma boa história, que poderia ser melhor escrita, mas a ladainha do rapazote órfão e desprezado, tentando salvar a princesa e o reino, já foi contada muitas vezes. Não é um conto ruim, apenas comum e sem brilho.

"Prelúdio", de Daniel Gomes, quase me fez desistir. Os clichês tropeçam um no outro, a escrita é péssima e me fez acreditar que o livro não tinha passado por revisão - a despeito do texto impecável de Ana Cristina. Saber que houve duas revisões (pelo menos) só aumentou meu desgosto.


O livro fecha, porém, com o ótimo "Gênese de um Novo Mundo", de Ana Carolina Silveira. Bem escrito, o conto é uma ficção científica com alguns elementos clássicos de fantasia. A história flui bem, porém - como bem apontou Eric Novello em sua resenha - os personagens exercem papéis muito bem definidos de "vilão, herói, mocinha em apuros, etc".

Mais que isso, a história é longa e cheia de informações que não necessariamente ajudam à trama. Seria melhor - visando o conto - que a autora reduzisse a parte explicativa ou fundisse a mesma com a trama atual, criando identificação no leitor com os personagens. Ou, outra opção, transformar o conto em novela e trabalhar melhor a história prévia e o desenrolar dos fatos.

A avaliação final é de que a "Fábrica dos Sonhos" traz grandes promessas de autores - como o Aguinaldo e a Ana Carolina; alguns "diamantes brutos", que precisam de mais trabalho mas estão na direção certa, como Roderico Reis; e autores que realmente precisam rever sua escrita, a despeito de terem idéias boas ou não, como é o caso de Daniel Gomes. Da Ana Cristina não falarei pois espero, em breve, resenhar "AnaCrônicas", primeiro - e excelente - livro "solo" dela.

Aos fãs de fantasia e de bons contos, fica a dica: dêem uma chance para "Espelhos Irreais" e vejam que sim, a internet pode trazer boa literatura, mesmo em gêneros normalmente desprezados, como a FC&F.

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Por: Susanna Clarke
Tradução de: José Antonio Arantes
Editora: Companhia das Letras, 2005, 1ª edição
820 páginas

Visão geral

É impossível falar deste calhamaço - em todas as acepções do termo - de Susanna Clarke sem lembrar que é um livro elogiadíssimo, foi indicado a vários prêmios e ganhou alguns. Neil Gaiman elogiou o livro - mas, você não vai saber disso pela edição nacional, uma vez que Gaiman, para a míope Companhia das Letras, não é alguém "citável"...

Mesmo com a recomendação dele, o leitor padece pelo tamanho do livro. As primeiras duzentas e poucas páginas são perfeitamente dispensáveis e poderiam ser condensadas em menos de cem. Não há propósito nem história nesse início, sendo um primeiro volume de contos "fix-up" com o personagem "Mr. Norrell".

A partir do segundo volume, em que a história toma centro em Jonathan Strange, tudo muda. A leitura torna-se fluída, interessante, a história começa a ter suas pontas amarradas - e firma-se a certeza de que toda a enrolação com Mr. Norrell era dispensável. Para aqueles pacientes, firmes em propósito ou simplesmente teimosos - o meu caso - o livro guarda boas surpresas nos volumes dois e três.

A história, sem contar segredos (ou "spoilers")

A trama de JS&MN tem lugar na Inglaterra, pouco antes do período vitoriano. A magia só encontra lugar entre estudiosos, colecionadores de livros e intelectuais, não sendo mais praticada... até que a distinta sociedade de York descobre Mr. Norrell, o único mago prático da Inglaterra.

Do início do livro já temos um vislumbre claro da personalidade de Mr. Norrell: arrogante, centralizador, egocêntrico. Uma figurinha inglesa detestável e típica. O primeiro volume concentra-se em fazer com que o leitor fique com raiva do personagem retratado e conheça os acontecimentos que trouxeram a magia de volta à Inglaterra. Clarke não deixa o leitor formar sua opinião - ela o induz, guiando e às vezes ditando o que deve ser pensado. Isso cansa.

Então vem o volume II, com o foco acertadamente em Jonathan Strange. Não que este seja um santo, nada disso. Só que é um alívio ver a trama finalmente andar, as pontas soltas começarem a se ligar e a história tomar forma.

Como é de se esperar, temos Strange crescendo como mago e iniciando a caminhada que o levará a ser amigo, aprendiz e também a confrontar Mr. Norrell. Essa relação complexa dá forma ao terceiro volume, que arremata a história, ligando todos os pontos e histórias paralelas - que nem citei aqui.

A magia permeia os três volumes, é o tema e a motivação principal da história e responsável pelas mais belas imagens do livro. As cenas que envolvem encantamentos, seres fantásticos e mundos mágicos são narradas deliciosamente por Clarke, criando situações vívidas e verossímeis - claro, considerando a suspensão da descrença, desde o começo.

O final do livro - especialmente se comparado ao seu começo - acontece de forma um pouco abrupta mas sem comprometer. O desfecho é adequado com a trama, inteligente e empolgante. A velocidade de leitura, inclusive, vai crescendo conforme a leitura avança e ao final é frenética, devido ao encadeamento de acontecimentos, que faz com que você não queria parar de ler.

Conclusão

Apesar da mania de "segura na minha mão que eu te levo" e do começo lento, JS&MN é um livro muito bom. A coerência do mundo imaginado por Clarke é fantástica, a forma como a magia funciona, as relações entre os personagens, tudo se encaixa muito bem. Não acho que merece os elogios rasgados que o Neil Gaiman ofereceu, mas quem sou eu para discordar de NEIL GAIMAN? Recomendado!

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Foi um verdadeiro stack overflow (pare com o mouse sobre a palavra ou termo que tiver dúvida e estiver em itálico - aparecerá uma breve explicação). Dois dias de informações, pessoas, idéias e debates muito interessantes.

Apenas não participei da oficina "A Escrita em Ficção Científica Brasileira", do Roberto de Sousa Causo, no domingo; mas anotei as quatro mesas de debates e o Pecha Kucha Night (PKN, ou "noite do burburinho"), que foi um "final" exemplar para o evento.

Este é o primeiro de uma série de sete textos sobre o Invisibilidades II; nos próximos, abordarei cada mesa em separado, o PKN e por fim farei uma análise final, considerando a repercussão do evento em textos de outras pessoas.

Sem enrolar mais, a visão geral foi de que o evento valeu muito. Algumas mesas foram excelentes, outras tiveram alguns problemas, mas mesmo estas foram interessantes e geraram debate na platéia e para além dela.

O número de pessoas que assistiram - comparado ao pouco que vi do primeiro evento, em 2006 - foi drasticamente superior, certamente resultado da excelente divulgação combinado a um conjunto de temas mais atraentes e ao excelente momento do mercado de FC nacional. On-line, o primeiro invisibilidades (então "invisibilidade") rendeu cerca de 300 citações (confira aqui), incluindo links de divulgação. O Invisibilidades II, usando o mesmo critério de busca, já está em mais de 14 mil citações (aqui).

Se isso não é medida de sucesso suficiente (público e repercussão), vale lembrar que foi uma edição bastante heterogênea: desde escritores tão diferentes quanto Max Mallmann, Braulio Tavares, Octavio Aragão, Fausto Fawcett e Antônio Xerxenesky - para citar apenas alguns - até a participação de editores (a lamentar a ausência da Aleph e Devir) e pesquisadores do gênero em suas diversas formas (como Adriana Amaral, Alfredo Suppia e Rodolfo Londero).

Claro que nem tudo são rosas: infelizmente o velho embate entre pessoas do "fandom" ressurgiu; mas aqui uma postura do curador fez com que eu repensasse a minha própria: em conversa com Fábio Fernandes, ele foi claro ao dizer - e comprovar, pela composição do evento - que está passando por cima dos problemas que o fandom já teve e que quer criar espaço para todos.

As pessoas envolvidas têm seus motivos - realmente sérios, dos que sei - e não vou deixar de repudiar os atos que conheço e sei que são mais que condenáveis: são coisas de gente mau-caráter, mesmo. Mas, em prol da FC&F nacional, que precisa de todo e qualquer incentivo, estou deixando de ignorar determinadas contribuições e de atacar certas iniciativas. Não estou cobrando postura semelhante, nem condenando ninguém; cada um age como lhe cabe - inclusive eu.

Voltando aos pontos positivos, além dos debates, tivemos o PKN, que foi excelente e valeria, sozinho, pela apresentação em vídeo do Alfredo Suppia - que ele prometeu disponibilizar no YouTube, estou na espera! A curadoria do Fábio Fernandes foi impecável - e quero destacar uma postura que valorizo bastante, por considerar ética: o Fábio foi quase "invisível" no evento, deixando o destaque para os participantes das mesas, das quais ele não participou. Seria muito saudável ao gênero se todos os curadores/editores tivessem a mesma isenção.

Também foi um bom evento em publicações: ganhei uma cópia "beta" do fanzine Overclock (cortesia do Rodolfo Londero), comprei a edição 1 do Fabulário em português e em inglês, ganhei uma revista UFO (cortesia de Renato A. Azevedo). O Jacques Barcia aproveitou para lançar, sem muito alarde, a Terra Incógnita. Dois lançamentos foram confirmados: "De Roswell a Varginha" - de autoria do já citado Renato A. Azevedo - e o "Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica", pela Tarja Livros; a Giz Editorial anunciou que em breve terá um novo livro de Miguel Carqueija no mercado.

Há de se notar também a organização e atenção da equipe do Itaú Cultural, que se desdobrou para atender às demandas de última hora conforme possível (esperamos wifi no Invisibilidades III, em 2009, além de umas tomadas perto do palco, por favor ;). Todos foram muito gentis e quero agradecer nominalmente à Larissa Corrêa, ao Ricardo Shimabukuro Tayra e à Patrícia Hellena, além do sempre solícito Guilherme Kujawski, claro. O Itaú Cultural ainda tem o bom gosto de utilizar ColdFusion em seu web-site, yay! :)

Por fim, como todo evento desse tipo, um dos "charmes" é o contato com as pessoas da área e nisso, especialmente para mim, o "Invisibilidades II" foi fantástico. Almocei e tomei chope com o Braulio Tavares - escritor que admiro muito e que não canso de citar aqui - e com o Max Mallmann - outro escritor com justo reconhecimento dos fãs. Conheci a Adriana Amaral "ao vivo" e o pessoal do Fabulário Zine; além de reencontrar amigos, conhecer pessoas novas da comunidade de ficção científica do Orkut, entre outros atrativos de amizade e "networking". Não citei aqui nem um décimo das pessoas cuja companhia tive o prazer de compartilhar durante o evento!

O saldo geral foi extremamente positivo: segunda de madrugada - chegando em casa após o chope de "fim-do-evento" - acabado (precisei de três dias para me recuperar) mas feliz, fiquei com aquele gostinho de quero-mais. É nesse espírito que parto para os próximos relatos, que devem aparecer por aqui no máximo semanalmente, conforme possível.

Isso não significa que o Leituras passará esse tempo todo apenas na expectativa dos relatos do "Invisibilidades II". Tem um novo Leituras Web (o #11) para sair, o novo portal do CLFC em fase final para publicação, novas resenhas no forno, entre outras novidades. Fique ligado e obrigado pela leitura!

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Por: Max Mallmann
Editora: Rocco, 2003, 1ª edição
224 páginas

Nada melhor para iniciar uma nova fase - com um novo layout aqui no Leituras - do que com a resenha de uma obra excelente: "Zigurate" é o quarto livro de Max Mallmann - ainda não tive a oportunidade de ler os outros, porém isso não deve demorar agora que li este. Um nome conhecido dentro e fora dos meios de ficção científica nacionais, Mallmann é roteirista da TV Globo e um dos grandes talentos consolidados do país, com projeção internacional, inclusive.

Para escrever este livro ele mergulhou no mito de Gilgamesh - a ponto de estudar o idioma e dos capítulos abrirem com caracteres cuneiformes sumérios - entrelaçando a história do mítico rei que buscava a imortalidade com o questionamento às origens do Cristianismo. Não pense, porém, que esse é um romance histórico. Na realidade, a história não poderia ser mais moderna.

Logo de cara somos confrontados com a "sentença de morte" da protagonista, uma balzaquiana francesa que, em conseqüência de genes ruins e dos coquetéis anti-AIDS que toma desde os 20 anos, sofre do coração. "Sofre" na realidade é um eufemismo: o infarto, segundo os médicos, é apenas uma questão de pouco tempo.

Sem amigos realmente íntimos e nem amores, distante de sua mãe, Sophie - nossa quase-morta - não vê outro consolo a não ser continuar vivendo e trabalhando em sua tese de doutorado: um estudo antropológico sobre como o velho testamento bíblico é, na realidade, uma compilação de mitos anteriores ao povo Hebreu.

É nesta pesquisa que Sophie se depara com uma evidência daquilo que ficará conhecido no livro como "Bíblia dos Áureos", uma versão adulterada que dá conta da criação do homem inicialmente a partir do ouro e não do barro, e de fato idêntico a Deus e imortal. Tendo - é claro - desafiado o Senhor, o primeiro homem e a primeira mulher são amaldiçoados a viverem eternamente, sem poderem ter filhos e sendo condenados ao esquecimento por parte dos "humanos de barro", que vivem tão pouco.

Parece incrível que, em um romance com pouco mais de 200 páginas, Paris, Edimburgo e Rio de Janeiro - com criminalidade e favela, inclusive, mas de forma interessante e original - possam coexistir com imortais de ouro, mitos Sumérios e uma francesa à beira da morte? Pois eu recomendo que você leia: o Mallmann atropela tudo e ainda adiciona marqueteiros norte-americanos e políticos brasileiros!

O ritmo do texto não é frenético, está mais para um passeio em uma estrada bem pavimentada, com um bom carro: não há solavancos, as coisas vão fluindo e os acontecimentos sucedem com inteligência e criatividade. Mesmo as reviravoltas e surpresas encaixam com perfeição na trama, que por vezes acelera, especialmente para o clímax ao final.

É uma pena que, nestes cinco anos, a história não tenha dado outros frutos - eu acho que caberiam tranqüilamente continuações ou histórias anteriores no mesmo "universo". No livro chegamos a saber o e-mail de um dos personagens e somos incentivados a escrever para ele na "orelha", mas o endereço já não pertence ao autor e as iniciativas de blogs de personagens não são atualizadas desde 2004.

A edição da Rocco é ótima, bastante durável e com uma capa, cores e diagramação atrativas. Porém, quando recebi o livro fiquei surpreso com a capa: não parecia algo de FC. Confesso que, se visse exposto numa livraria, sem saber quem é o Max e o que ele escreve, nem pegaria na mão para ler a sinopse. Mas, isso sou eu, nerd e fã de fc e fantasia. Eventualmente, pode ser que o livro tenha boa saída com o público "leigo" justamente por esses atributos que, para mim, são defeitos.

Portanto, não se deixe enganar pela capa e nem pelo "rótulo" de roteirista da Globo, que pode soar mal aos ouvidos mais, errr, "literatos". "Zigurate" é literatura de qualidade e o Max não foi finalista do Jabuti - com Síndrome de Quimera - à toa. Atualização: o parágrafo anterior foi mal-escrito por mim e dá a impressão que a capa é de má-qualidade; ela não é. Veja meu comentário abaixo, em resposta ao do Fábio Fernandes.

Cabe ainda uma nota final: o livro está em adaptação para o cinema! Segundo o IMDB, a estréia deve ser em 2009 e ele está em pré-produção... e eu mal posso esperar :)

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Por: Cristina Lasaitis
Editora: Tarja Editorial, 2008, 1ª edição
176 páginas

Às vezes, fico pensando nas pessoas que resenharam Asimov, Clarke, etc em seu começo de carreira. Era evidente que eles teriam a popularidade e o reconhecimento que tiveram? Soube a crítica, os resenhistas de então, captar isso?

Eu tenho a sensação de que, sendo consistente o crescimento atual da Ficção Científica e da Fantasia nacionais, a Cristina com certeza terá um lugar entre os melhores escritores daqui. E resenhar o primeiro livro dela é uma responsabilidade e uma aposta.

Prematuro? Não creio. Embora tenha começado a escrever recentemente - desde 2004 - a Cristina vem consistentemente emplacando contos em concursos e coletâneas, desde a polêmica "FC do B - Panorama 2006/2007" até a "Visões de São Paulo". Ter um prefácio de Fábio Fernandes em seu livro de estréia não é para qualquer um, com certeza, então creio sim que é uma aposta, mas mais devido ao risco - ou o potencial - de um mercado como o nacional para absorver e realmente recompensar uma escritora como ela.

"Fábulas" é uma coletânea de contos, primariamente de ficção científica, mas com a fantasia aparecendo aqui e ali. É uma bem construída, inteligente e prazerosa colcha de retalhos. Alguns contos interligam-se e, ao final da leitura, a sensação é de que tudo faz parte de um mesmo "multi-verso", onde personagens tão díspares quanto um Inca medroso e sedento de poder, uma cientista inteligentíssima e otimista e um anjo "caído" podem fazer parte do mesmo universo - mas não do mesmo tempo.

Durante todo o livro fica-se com a sensação de que cada conto é apenas um ensaio, uma pequena introdução a algo maior. Como se ela estivesse apresentando pequenas histórias, para nos acostumar com seus personagens, seus cenários... e depois virem os romances desenvolvendo melhor o povo que vive no deserto, tendo que "ressuscitar" o conhecimento perdido da humanidade em velhos computadores ou as aventuras da cientista que ousou tentar matar o tempo - a Susan Calvin da Cristina.

Alguns contos já eram conhecidos do site Nova Visões ou mesmo da coletânea FC do B, e aparecem com algumas modificações aqui. Não é algo ruim - ao contrário, para entender essa "colcha de retalhos" é preciso ler tudo do começo ao fim, identificando aqui e ali onde ela mudou os textos e os interligou.

Não cabe aqui - tanto para não estragar a surpresa do leitor como por não ser o meu objetivo - mapear essas interligações, mas é algo que vai dando prazer de acompanhar conforme o livro se desenvolve. Claro que, como qualquer coletânea, existem contos mais fracos e outros excelentes. Em minha opinião, por exemplo, "Meia-noite", o décimo-segundo conto, que fecha o livro, é um dos melhores textos que já li na minha vida. Mas isso pode ter a ver com a Cristina falar diretamente ao meu "universo" aqui, com personagens que adoram estar on-line, "hackeando" e brincando com os códigos que formam os programas, a rede e os web-sites - e, neste caso, as realidades virtuais também.

Já o conto "Caçadores de Anjos", embora interessante, não captou tanto minha atenção, bem como "Irmãos Siameses". Eles não são ruins, que fique claro - apenas não alcançaram a expectativa que eu tinha antes de ler.

Há em todo o livro, como pode parecer óbvio, o questionamento do tempo, das marcas de sua passagem e de quanto realmente entendemos dele - cientificamente falando - e quanto o sentimos. E talvez essa seja uma chave para entender o sucesso da Cristina - embora meticulosa com os detalhes, com a pesquisa, seus contos não estão focados na ciência, nos mecanismos fantásticos e nem em questionamentos polêmicos. O foco é nas pessoas, em como elas vivem, sentem e reagem ao tempo, aos acontecimentos - frutos do acaso? Ou de um destino?

Algo que inicialmente me decepcionou foi o modo com o a Cristina, em basicamente todos os contos, dá por certo a existência do "Destino". Em "A Outra Metade", por exemplo, têm-se a sensação de uma entrega absurda a um destino sem divindades, sem justiça ou compensação, mas ainda assim pré-definido. Porém, com o correr do livro, vemos que não é bem assim e que há espaço para o livre-arbítrio nesses mundos, mesmo que ele jogue uma parte pequena da história e tenha aparência de ser mais esperança, ilusão dos personagens do que algo real. Bom esclarecer, esta é uma "decepção filosófica pessoal", pois a autora tem todo o direito de posicionar-se como quiser em relação aos seus temas.

Um ponto a criticar é o acabamento do livro, que não é muito durável. Pelo preço de venda da Tarja - R$ 23,00 ou 25, dependendo de onde você comprar - eu esperava um "pocket" melhor acabado ou um livro de "porte normal" com o acabamento que o "pocket" teve. Embora o formato seja um acerto por ser fácil de levar no metrô, ônibus e outros lugares, o acabamento é ruim: minha edição, comprada há apenas um mês e lida por apenas duas pessoas, já está bem desgastada, especialmente a capa. O valor do livro, portanto, deveria ser menor ou o acabamento melhor, creio eu.

Se você leu esta resenha até aqui, deve ter notado que o livro me empolgou. A capacidade da Cristina de falar diretamente no imaginário, de criar descrições interessantes e ao mesmo tempo sem preciosismos desnecessários e de absorver os dramas humanos, tornando seus personagens reais, próximos, é viciante. Recomendadíssimo!

Atualização:
Faltou dizer que, para comprar o "Fábulas", o melhor caminho é acessar:
http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/07/17/como-adquirir-o-fabulas/

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@ 13.7.08 01:35

Veja também:
"PS"
Continuando a série de artigos sobre a FANTASTICON 2008... se você chegou aqui agora, leia a Parte 1 e a Parte 2 primeiro.

"Um olhar sobre a literatura fantástica atual", Fábio Fernandes, Guilherme Kujawski, Jacques Barcia e Sérgio Kulpas

Quero iniciar este texto dizendo que é impossível dar uma descrição tão detalhada quanto a que fiz da palestra do Octavio. Em primeiro lugar, não foi uma palestra "linear", com um conteúdo específico: foi muito mais um debate aberto, com interferência constante (e geralmente positiva) do público e troca de idéias entre os palestrantes - importante dizer que não há julgamento de valor aqui.

A mesa/palestra teve início com uma longa exposição - embora de forma alguma cansativa - do Fábio Fernandes sobre o "New Weird" e o novo na ficção científica. É preciso dizer que, apesar de ser uma mesa sobre a "literatura fantástica atual", falou-se muito mais em FC e um pouco de fantasia, sendo que os outros gêneros praticamente ficaram de fora. Novamente, isso não foi ruim!

Um dos primeiros livros citados foi "Perdido Street Station", de China Miéville, autor britânico. Comparado por Fernandes com "Neuromancer", de William Gibson - autor no qual o palestrante é especialista - devido a quebrar paradigmas então vigentes na literatura fantástica. A história envolve ficção científica, steampunk, magia e mitologia; sendo um exemplo perfeito da "New Weird".

Fernandes deu continuidade a sua fala com um clamor aos escritores que busquem e criem novos referenciais além dos clássicos como Clarke, Asimov e Heinlein - sem ignorá-los, claro - no que foi secundado por todos os participantes da mesa; que é necessário ler tanto para ter referências ("e por que não absorver estilos alheios? Por que não se influenciar?") e também para não "plagiar", para realmente inovar. Contraditório? Não: é assim que tudo vem sendo feito há tempos, como bem destacou o Octavio na palestra de sábado.

Conforme a globalização avança, ainda segundo o palestrante, devemos ter mais obras inovadoras de povos que tinham sua produção "represada" até agora, como os chineses, indianos e dos países do leste europeu. Não apenas a produção, mas também os temas estão globalizados, sendo um sinal disso os livros "River of Gods" e "Brazyl", ambos de Ian Mcdonald, ganhadores do Prêmio da Associação Britânica de Ficção Científica e indicados ao Hugo Award.

Se autores britânicos podem escrever sobre a Índia e o Brasil - e o melhor, com qualidade, sem cair nos clichês - por que não podemos escrever sobre o medieval? Por que não explorar os temas, os países, o mundo? Se houver inovação, não há motivo para limitar-se.

Desta análise a conversa focou no mercado nacional, que apresenta sinais claros de melhoria. Aumentou a quantidade de livros publicados - ainda que muitos sejam clássicos antigos ou republicações, há muitos novos autores nacionais publicando. Existe um aumento de eventos relacionados aos gênero fantástico - como as mesas promovidas pela Livraria Cultura em SP - e estes têm obtido boa recepção de público, para além do "fandom". Há ainda uma sintomática movimentação on-line, com as comunidades relativas ao gênero tendo participação massiva. Novas revistas, e-zines e publicações exclusivamente on-line também surgem quase que mensalmente.

O Fábio indicou ainda uma mudança de postura, como no caso do autor Nelson de Oliveira com seu "Subsolo Infinito", que é claramente literatura fantástica, publicada por uma grande editora e com boa recepção de crítica, mas que inicialmente não "se assumia" - a velha situação, se é bom, então não é de um dos "gêneros fantásticos". A situação está mudando com seu autor aproximando-se do gênero e desejoso de republicar o livro, agora assumindo o gênero¹.

Por fim, citou que há uma "mudança dos tempos" no "fandom" e nos escritores que participam do mesmo, onde o espaço para discussões inúteis, lamentações e imposição de egos está acabando, dando lugar a produção constante, consciente e, cada vez mais, com qualidade.

Sérgio Kulpas assumiu então, destacando que a FC não tenta "prever" ou "falar do" futuro, mas que ela o molda. Como? Devido a conexão que o gênero tem com tudo o que acontece de novo hoje; como Verne fazia e Gibson faz até hoje: lendo o jornal diariamente, estando a par daquilo que ocorre hoje e extrapolando isso, pensando no que isso significa ou no que isso pode influenciar nos anos futuros.

Guilherme Kujawski, que é um dos organizadores da "Emoção Art.ficial 4.0" e autor de "Piritas Siderais - Um Romance Cyberbarroco", considerou a dificuldade em criar FC hoje, devido a velocidade das mudanças tecnológicas, lembrando novamente de Gibson com seus "Reconhecimento de Padrões" e "Spook Country", que ocorrem nos tempos atuais, abandonando a ficção científica especulativa, pois ela já aconteceu na realidade.

Houve também uma citação que o Kujawski fez referente a um autor que não recordo (e que não consegui anotar a tempo), mas que dizia que existem três grandes problemas que a humanidade precisa resolver: o crescimento populacional, a imposição dos valores ocidentais e o progresso tecnológico¹ e que, resolvendo-se um dos três, os outros dois resolveriam-se por si - e isso poderia ser base para muitas histórias de FC "atualmente".

Kujawski falou também do que considera um problema atual para a FC: a queda para o transcendental; a experiência fora do corpo, o abandono dos problemas e questões de agora para uma solução pós-morte. Há uma tendência para reverter isso - ainda segundo o Guilherme¹ - trazendo uma estética imanente para a arte e, portanto, para a literatura e seus gêneros.

Fábio Fernandes fez um aparte citando o Accelerando, de Charles Stross (que está disponível para download gratuito aqui, em inglês, claro) que trata de um grupo de "realizadores", de pessoas que decidem fazer algo e realmente tomam a tarefa a cabo, mesmo levando séculos para resolver. Assim, o Fábio propõe que os escritores realmente assumam a tarefa de moldar o futuro.

O Jacques Barcia, que até então havia feito apenas alguns apartes e comentários, iniciou uma descrição dos principais "sub-gêneros", por assim dizer, atuais. Iniciando pelo já citado "New Weird", caracterizado pelo surreal; pelo grotesco do corpo, como meio de questionar o real e retratando sempre a cidade, como uma forma de questionar as estruturas de poder. O New Weird teria um componente muito forte de fantasia, porém não escapista e sim entrelaçada com a nossa realidade de alguma forma que a reflita e ainda possa gerar identificação.

Na seqüência ele falou do steampunk como um gênero em alta, senão na literatura ao menos nas animações, cinema, quadrinhos e outros meios mais visuais. Não poderia deixar de ser diferente, pois o steampunk tem uma "levada" muito mais estética do que política e/ou reflexiva, desde sua criação por William Gibson e Bruce Sterling com seu "The Difference Engine". Gerson Lodi-Ribeiro, que estava na platéia, fez um aparte sobre steampunk e história alternativa, mas o Jacques consideruo que steampunk eventualmente pode ser história alternativa, mas não obrigatoriamente, por não haver (muitas vezes) um ponto de divergência bem definido. Da mesma forma, steampunk é exatamente o cyberpunk, porém historicamente deslocado, utilizando tecnologia e estética vitorianas para quebrar com a frieza do concreto, do digital.

Não creio que o steampunk seja forte como literatura, hoje. Porém é forte com certeza como "imagem", como "imaginário". A quantidade de coisas criadas em torno da estética é estonteante, especialmente nos Estados Unidos.

Outros dois temas abordados foram o pós-humanismo, que seria o fim do corpo como conhecemos, sendo algo totalmente diferente no futuro e a new space opera. O pós-humanismo "per si" gera muita polêmica, especialmente em mentes mais "cruas", mas é uma realidade já hoje: quantas pessoas não vivem quase normalmente às custas de modificações corpóreas como marca-passos, próteses e similares? As técnicas de "brain hacking" estão tornando-se constantes em publicações científicas como um debate atual que precisa ser travado. A alteração do corpo por motivos estéticos também já é bastante comum, desde implantes sub-cutâneos até modificações mais extremas como bipartir a língua.

Isso indica que a FC ainda tem sim caminhos a percorrer, mesmo no meio especulativo. Não pude deixar de lembrar de Warren Ellis e seu "Transmetropolitan", onde um rapaz deixa seu corpo para viver como uma "poeira nanorobótica", fazendo "download" (ou "upload"?) de seu cérebro, de sua consciência, para essa "nanopoeira", que ele pode manipular de qualquer forma, inclusive dando aspecto "humano". Neste ponto, todos na mesa foram a favor de boas histórias, com elementos humanos, ao invés da mera "previsão futurística", no que foram aparentemente secundados pela platéia. Outra associação imediata foi com um conto de Cristina Lasaitis, onde o ato de deixar seus "corpos virtuais", pós-humanos, para trazer a "realidade física, limitadora" traz conseqüências funestas aos protagonistas.

A New Space Opera, por sua vez, seria uma atualização de Flash Gordon e Buck Rogers (exemplos), tendo a grandeza, a conquista espacial, grandes impérios com o elemento épico e a estética como chaves para a renovação do gênero. Removendo as "princesas" e o heroísmo maniqueísta original, claro.

Ao final da palestra, fiquei com a certeza de que existem chaves para a nova FC ou mesmo para a nova literatura fantástica, sendo a principal delas a "estética". Do papel que o "design" tem em nossa vida até a "imagética" que envolve os novos gêneros descritos, em tudo a estética exerce uma força enorme, quando não predominante, como no caso do steampunk e da new space opera.

Por fim, o Jacques anunciou a revista Kalíopes (que foi ao ar no site do CLFC ao mesmo tempo que o e-zine Somnium Nº 101) e a Terra Incógnita, uma revista editada em conjunto com o Fábio Fernandes, que será primariamente publicada em inglês, visando alçar a produção nacional ao alcance mundial. Atualização: Fábio Fernandes avisa nos comentários que a revista não será, inicialmente, em inglês, apenas o blog Post-Weird Thoughts, que já é em inglês, será incorporado. Porém avisa também que os planos são de publicações em inglês no futuro, sim, o que não invalida meu comentário abaixo :)

Particularmente, não só quero aplaudir como festejar a iniciativa. Faz tempo que debato, especialmente na extinta (infelizmente!) lista da Intempol, que a internacionalização não só é uma saída para o mercado de nicho que é a literatura fantástica aqui no Brasil, como também a via mais "futurista" possível. O uso de inglês tende a difundir-se cada vez mais, sendo já a linguagem padrão nos negócios e no turismo. O lançamento de um fanzine como o Fabulário em inglês, dentro de uma feira literária nacional, apenas reforça essa impressão e o acerto da iniciativa. Sabendo ainda que eles têm diversos textos de grandes autores anglófonos para publicar, a coisa só fica melhor.

O Kulpas e o Kujawski, por sua vez, anunciaram planos de publicar livros, sendo um em conjunto e outro "solo" (do Kulpas). O livro em conjunto, ao que tudo indica, vem sendo desenvolvido há anos e trata-se de dois irmãos que comunicam-se apenas via cartas (ou e-mails?) e que refletem sobre suas vidas em ambientes totalmente diferentes, um imerso na cidade, na urbanidade e o outro em um ambiente mais saudável/bucólico¹.

Achou esta descrição da mesa muito cheia de referências, links? Sua cabeça está explodindo com a quantidade de coisas faladas, com a diversidade de assuntos? Se a reposta for sempre "sim", então eu consegui passar para você o que foi estar lá. Era impossível anotar tudo de interessante que vinha à tona! Caso contrário, fique ligado para a FANTASTICON do ano que vem e, se alguma mesa deste estilo, com algum desses caras (ou, melhor ainda, todos juntos) estiver na programação, não perca!

Aproveito para pedir desculpas pelo atraso na publicação deste relato, espero que o resultado final tenha compensado a espera!

¹ Aqui escrevo de memória e, como já faz uma semana praticamente, posso estar errado. Corrijam-me nos comentários se for o caso, por favor!

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@ 10.7.08 13:20

Veja também:
Parte 3

"PS"
Continuando a série de artigos sobre a FANTASTICON 2008... se você chegou aqui agora, leia a Parte 1/3 primeiro.

"A Ficção como base para uma nova realidade: de Baker Street ao Sítio do Picapau Amarelo", Octavio Aragão

A palestra teve início com um pouco de atraso, mas começou bem, com uma surpresa: um "clipe" da nova HQ "Para tudo se acabar na quarta-feira", que se passa no "multiverso" da Intempol. Muito bem produzido, o vídeo deixou todos ansiosos pela publicação.

Logo após - e aqui estou me guiando tanto pela memória quanto pelas notas que fiz - Octavio apontou a pós-modernidade como chave para toda a palestra. Contrapondo a "leitura funcional" - extremamente popular hoje com os best-sellers de auto-ajuda - e a leitura "por prazer", apresentou a visão de que a realidade hoje é composta pela ficção.

Segundo o palestrante, quando assistimos a um jornal, o "fato" ali apresentado é incompleto e depende da nossa imaginação e interpretação para tornar-se real. Dessa percepção - e de dados como a pesquisa onde os entrevistados disseram que Winston Churchill era ficcional e Sherlock Holmes, real - conclui-se que a realidade é composta pela ficção e que descartar uma leitura por ser "ficcional demais" ou não-utilitária é não atentar para o que fazemos diariamente, mesmo que inconscientemente.

O "mix" entre personagens e fatos "reais" (ou "históricos") com personagens e fatos "fictícios" foi um dos temas mais presentes na palestra do Octa. Desde Homero e a Ilíada, passando pelos folhetins - que teriam realmente iniciado a confusão de "real" com "ficcional" na mente do leitor, talvez por serem seriados - até as "biografias" de Holmes e de outros personagens ficcionais, o "crossover" realidade vs. ficção está presente na literatura e no imaginário das pessoas.

O "mapeamento" invocou a confusão com direitos autorais - o que fazer no caso de "reaproveitamento" de personagens como, por exemplo, Alan Moore fez em seu "Lost Girls"? Essa é uma questão atualíssima, que o palestrante soube trazer à tona com uma visão histórica - os direitos autorais, especialmente na "ficção alternativa", jamais foram respeitados, a não ser forçosamente, por meio de leis e ação policial ou, em casos raros, preventivamente, por meio de compra ou cessão dos direitos de uso.

Ainda falando nesse "crossover" realidade e ficção, bem como sobre "ficção alternativa", Octavio comprovou que as "fanfics" são muito mais presentes do que se imagina. Citando o infame livro de Jô Soares, "O Xangô de Baker Street" e a obra de Monteiro Lobato (que reconta Peter Pan e inclui diversos personagens de outros escritores em seus livros), a "fanfic" é presente e antiga, recebendo essa denominação e sua atual popularidade com a internet - de onde também vem sua conotação negativa, devido a alguns trabalhos de baixa qualidade publicados on-line.

Aproveitando o tema, Octavio demonstrou que "ficção alternativa" é um termo real, acadêmico, citando o livro de Eric B. Henriet (veja abaixo) e também que seu livro, "A Mão que Cria", foi o primeiro a ser publicado assumindo-se como ficção alternativa, e não o primeiro texto de ficção alternativa publicado no Brasil.

Outro tema, conseqüência dos anteriores, foi o conceito de "Mitoversos", ou os mundos "mitológicos" formados pela união de diversos cenários, personagens e fatos reais e ficcionais, como no caso de Wold Newton, de Philip José Farmer.

Por fim, Octavio citou alguns livros que inclui em minhas anotações para comprar ou pesquisar futuramente: "Encyclopedia of Science Fiction", de John Clute (mais informações); "L' Histoire Revisitée" de Eric B. Henriet e "A Turma do Sítio na Semana de 22" de Márcia Camargos.

A palestra toda foi bastante empolgante, cheia de insights e de referências interessantes. Deu para perceber que o conteúdo foi preparado com esmero e que o Octavio falou de algo que realmente entende. Houveram as "cutucadas básicas", como na questão da importância e qualidade das fanfics, bem como no assunto "ficção alternativa" (conforme descrevi acima). Enfim, uma palestra excelente e com conteúdo relevante. Estou na torcida para que o Octa coloque a palestra on-line para download!

Respondendo aos comentários

Vou aproveitar o espaço para falar um pouco dos comentários recebidos para a parte 1 deste relato. Primeiro agradeço a leitura e a disposição em comentar da Gi, da Cris e do Silvio Alexandre, organizador da FANTASTICON. Creio que é importante avaliar os problemas e as qualidades de toda empreitada, a fim de fazer um ajuste fino nas próximas oportunidades. Embora tenha resultado em um evento "escondido", a mudança de local foi bem justificada pelo Silvio, que lembrou a barulheira (realmente) vinda do pátio no ano passado.

Quanto a ter que escolher entre boas palestras rolando ao mesmo tempo, claro que não era uma "reclamação": sem dúvida prefiro um evento com muitas oportunidades. Como não consegui me ater ao que havia programado, não tive realmente essa dificuldade, mas foi algo que me deixou pensando e planejando antes de ir para lá. E isso é bom! Que o ano que vem nos deixe assim, ansiosos e planejadores, novamente.

Amanhã, a parte final do meu relato da FANTASTICON 2008, com as impressões sobre a mesa "Um olhar sobre a literatura fantástica atual". Até lá!

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@ 9.7.08 20:40

Veja também:
Parte 2

Parte 3

"PS"
Para aqueles que não sabem, a FANTASTICON é um evento sobre literatura fantástica, isto é, ficção científica, fantasia, horror e terror, além de uma série de "sub-gêneros" dentro destes.

A edição deste ano teve lugar no Colégio Marista Arquidiocesano em São Paulo (capital) nos dias 5 e 6 de julho, junto ao XVI Encontro Internacional de RPG, com palestras, vídeos, mesas de bate-papo, lançamentos de livros e revistas, entre outros.

Um resumo

Daquilo que participei, só posso dizer que o evento foi excelente. Participação, temas, palestrantes/debatedores, tudo ótimo. A reclamar apenas o excesso de eventos paralelos interessantes (ok, isso não é algo realmente a reclamar) e a "invisibilidade" da FANTASTICON dentro do evento de RPG - conseguiram colocar as salas em um local ainda mais isolado do que na edição anterior.

Fui para a FANTASTICON querendo participar, essencialmente, de três palestras: a de Octavio Aragão no sábado (que foi excelente), a de Braulio Tavares (que perdi) e a mesa-redonda sobre novos rumos da FC (excelente), ambas no domingo.

Maiores detalhes

O evento começou "realmente" para mim na sexta-feira de tarde, em um almoço com meu amigo Ivo Heinz, que é um grande conhecedor de FC e sempre me apresenta para livros e autores interessantes. À noite, ainda na sexta, fui até o lançamento de "Fábulas do Tempo e da Eternidade", da minha amiga Cristina Lasaitis - já estou na metade do livro e gostando muito, em breve sairá uma resenha por aqui.

No sábado, ainda sentindo efeitos do "buslag" (viagem de 11h de Balneário Camboriú até SP, sem dormir), cheguei por volta do meio-dia no EIRPG. Porém e a FANTASTICON? Foi difícil encontrar o evento: placas indicavam a direção, mas de repente elas sumiam e eu ficava "?!?"

Rodei o pátio, subi até onde havia sido o evento no ano anterior, procurei meus amigos, nada. Só quando encontrei a já mencionada Cris, próximo à área de estandes do EIRPG é que consegui entender como fazer para chegar até a FANTASTICON. Infelizmente, parece que a "invisibilidade", tão recorrente quando se fala de FC e afins, atacou novamente.

Uma vez no lugar certo, embarquei no finalzinho da palestra "O Vampiro Antes de Drácula", da Martha Argel e Humberto Moura Neto, que estava divertida e informativa, apesar de um sujeito irritante na primeira fileira ficar interrompendo o tempo todo. A palestra seguinte seria naquela mesma sala, com Octavio Aragão...

Na próxima parte, a ser publicada amanhã, falarei sobre a palestra de Octavio Aragão. Na terceira e última parte, a ser publicada na sexta-feira, a mesa sobre novos rumos da FC com Fábio Fernandes, Guilherme Kujawski, Jacques Barcia e Sérgio Kulpas. Até lá!

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  Duna
Em Leituras
@ 15.2.08 18:03

A partir de:
www.estantevirtual.com.br

Por: Frank Herbert
Tradução de: Jorge Luiz Calife
Editora: Nova Fronteira, 1984, 3ª edição
615 páginas (672 considerando apêndices)

Atualização: Ivo Heinz avisa que a série do Scifi Channel não só passou no Brasil, como está disponível em DVD para compra.

Um clássico da literatura de ficção-científica (ou da fantasia científica), livro excelente e premiado, vergonhosamente ausente das livrarias brasileiras - o link logo abaixo do título desta resenha é para a Estante Virtual, web-site que reúne sebos e livrarias de usados de todo o país.

A história é forte e emocionante e se desenvolve principalmente em Arrakis (ou Duna), um planeta periférico e desértico, que só tem importância por ser a única fonte de uma substância conhecida como "a especiaria" ou "melange" que, além de retardar o envelhecimento e proteger contra venenos, teria ainda efeito sobre os dons de presciência e aumento de capacidades dedutivas/lógicas de quem a toma.

Conhecemos o planeta por meio de três "povos", por assim dizer, os Atreides e os Harkonnen, duas famílias em guerra dentro do grupo de "grandes casas", que servem de balanço a um domínio imperial, em uma cultura feudalista e os Fremen, habitantes do deserto. Marginalmente, existe "A Corporação", um grupo de humanos viciados em especiaria que controla as viagens espaciais - eles afirmam que a especiaria é que torna os cálculos possíveis.

Neste cenário, acompanhamos a ida dos Atreides para Arrakis para substituir a tirania dos Harkonnen (o livro, nesse sentido, é bastante dicotômico, ao menos na primeira metade). Mas não há engano: os Atreides caminham para uma armadilha, preparada pelo próprio Imperador. O enfoque político, religioso e ecológico não briga com os dramas humanos existentes na trama, ao contrário, dá credibilidade aos mesmos, dando força ao roteiro extremamente bem pensado, tornando o livro o best-seller que foi, muito premiado e inclusive convertido em filme com direção de David Lynch (Twin Peaks, Cidade dos Sonhos) - que, apesar de elogiado por diversos quesitos técnicos, foi considerado uma bomba em termos de roteiro adaptado, tanto por fãs como pela crítica de cinema. Uma série de TV foi produzida depois pelo Scifi Channel (que eu saiba, não chegou ao Brasil) e há boatos de que um novo filme ou série seria produzido.

Sob qualquer ponto de vista, o livro de Herbert merece ser lido. É uma história de tirar o fôlego, com considerações cuidadosas em temas delicados como a religião; a consciência ecológica e política/estratégica encontrada na obra ainda hoje é rara de se encontrar na literatura. Não se deixe assustar pela quantidade de páginas e nem pelas seqüências - o livro vale muito por si só.

A criticar, apenas a descrição econômica de batalhas e o final um pouco apressado, deixando com gosto de quero mais. Algumas situações/idéias podem soar clichê, mas o leitor deve entender que Duna foi escrito em 1965, isto é, ele inventou algumas coisas que hoje são clichê. As notas ao final do livro também poderiam ser distribuídas em notas de rodapé, simplificando a leitura e o acesso do leitor à informação.

A avaliação final é de que o livro é fantástico, inteligente e mais do que recomendado. Se encontrar em algum sebo, compre!

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@ 13.2.08 07:15

A partir de:
www.lulu.com
"Antologia da nova literatura fantástica em língua portuguesa"
Por: diversos autores (João Ventura, Wolmyr Alcantara, Yves Robert, Octavio Aragão, Jorge Candeias, Gabriel Boz, Telmo Marçal, Carlos Orsi, João Ventura, Carlos Patati, Sofia Vilarigues, Maria Helena Bandeira, António Candeias e Carla Cristina Pereira)
Edição: Luís Filipe Silva
Organização e seleção: Jorge Candeias e Luís Filipe Silva
Impressão: Lulu
262 páginas (255 desconsiderando a introdução)

Acabamento: ótimo em princípio, um pouco menos durável (especialmente a capa) do que eu esperava (pelo preço). A ilustração da capa é fantástica, embora o título do livro fique um pouco "escondido". A impressão (via Lulu, uma gráfica sob demanda) deixa a desejar na capa e contra-capa (imagens "pixelizadas", por exemplo) mas compensa inteiramente no miolo, com um papel e impressão de qualidade.

Impressão geral: boa compra, a antologia reúne alguns contos muito bons, outros medianos e alguns ruins - como toda coletânea. Talvez fosse de esperar mais de uma "Antologia", ainda mais editada pelo Luís Filipe e pelo Candeias, já há muito conhecidos pela qualidade e perfeccionismo em seus empreendimentos. Não é algo que decepciona, mas preço vs. acabamento vs. conteúdo acaba fechando em uma conta não completamente positiva.

Vou analisar aqui o livro em termos gerais - com o tempo, disponibilizarei uma resenha para cada conto, com a exceção apenas do conto de Octavio Aragão, "Para tudo se acabar na quarta-feira", que será alvo de resenha em outra análise futura, acerca da Intempol (universo onde o conto se encaixa).

A introdução do Luís Filipe é um bom começo para o livro. Com um apanhado geral e resumido do cenário de literatura fantástica, mostrando que as dificuldades para publicar no gênero existem aqui e lá e apresentando o que é o projeto, de seu princípio, onde nota-se especialmente uma certa melancolia e negativismo na atitude portuguesa - que aliás espalha-se em fóruns e listas de discussão, bem menos ativas que as brasileiras.

O livro alterna contos de brasileiros com portugueses, criando um efeito inusitado e um tanto complicador para a leitura contínua. Por mais que seja interessante ler os contos em sua grafia original, isso acaba deixando a leitura um pouco mais pesada do que deveria ser, dadas as diferenças gramaticais - como bem lembra o editor na introdução.

O veredicto final da coletânea é positivo, embora o preço cobrado pela Lulu (incluindo o frete) seja um tanto caro, pensando no conjunto e na alternância de qualidade entre os contos, conforme já citei. Não diria que é um livro essencial para qualquer leitor, mas o fã de fantasia e ficção-científica pode comprar sem medo: é uma boa aquisição.

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@ 27.8.07 02:55

Os ilustradores:
Charles Vess
John Bolton
Mark Buckingham
James Jean
Mark Wheatley
Derek Kirk Kim
Tara McPherson
Esao Andrews
Brian Bolland
Jill Thompson
Por Bill Willingham (texto) e diversos (arte)
150 páginas aprox., 50 por edição, Editora Pixel Media/DC Comics (Vertigo)

Já falei de Fábulas na edição 3 da Pixel Magazine. Na primeira edição deste especial - que a Pixel pretensiosamente diz ser em três "volumes" - acompanhamos a saga da Branca de Neve, que abandona o refúgio criado pelas Fábulas em nosso mundo para alertar as fábulas árabes sobre o perigo do Adversário, aquele que matou diversas Fábulas e provocou a fuga das sobreviventes.

Aprisionada no castelo do Sultão, Neve só é levada à presença deste quando revolta-se e recusa a comida e os banhos. Então, jantando a sós com o Sultão, Neve se vê na mesma situação de Sherazade, tendo que entreter o Sultão com histórias para evitar sua morte.

Desta forma, começamos a saber mais do passado de Neve depois de seu casamento com o Príncipe Encantado, cujo reino erguia-se sobre o reino dos anões, que exploravam as minas subterrâneas para obter ouro e prata e negociar com os humanos na superfície. Um delicado equilíbrio garante que ambos os reinos não colidam, porém anões aparecem assassinados na superfície e o Príncipe se vê na difícil situação de solucionar os crimes ou enfrentar uma guerra sangrenta.

Ótima história, com as ilustrações também muito boas de Vess e Bolton, casando perfeitamente com o clima. O preço poderia ser um pouco menor dado que são apenas 48 páginas "reais", sendo que as capas internas são utilizadas para a história, em um resultado pouco profissional.

Os volumes seguintes apresentam histórias mais sortidas, algumas reveladoras do universo de Fábulas, outras mais generalistas, apontando para caminhos que o autor ainda pode tomar, como apresentar Fábulas do oriente, da África ou mesmo da América do Sul. A variação de ilustradores é interessante porém às vezes decepcionante, especialmente quando um ilustrador em especial agrada e o seguinte, nem tanto.

Fábulas tem ganho meu respeito a cada nova leitura que faço e, de repente, me vejo questionando se o título de "sucessor de Sandman" não é apropriado. O universo criado por Willingham é vasto, pode render histórias por anos, isso sem nem pensar na possível "vingança" das Fábulas contra O Adversário. O negócio é acompanhar os lançamentos e juntar dinheiro para comprar as caríssimas edições anteriores lançadas pela Devir.

Nota final: como eram muitos ilustradores, listo os nomes na coluna lateral, para quem quiser saber a informação completa.

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@ 18.7.07 22:00

Por Alan Moore, Paul Jenkins, Warren Ellis (texto) e J. H. Williams III, Sean Phillips, John Cassaday, Kevin Nowlan, Rick Veitch (arte)
98 páginas, Pixel Media/DC Comics (Vertigo)

A revista segue firme com histórias interessantes e apresentando séries importantes do selo Vertigo. Neste número, temos a estréia de Promethea, mais John Constantine e Planetary, além de duas histórias de Alan Moore por seu selo "ABC (America's Best Comics)".

Em Promethea, somos apresentados à personagem principal que é na realidade uma história, uma menina salva por seu pai e por deuses pagãos do genocídio promovido por fanáticos católicos. Levada ao mundo de Imatéria, Promethea pergunta aos deuses se poderá voltar ao nosso mundo - ao que respondem "Bem, às vezes, se uma história for muito especial, ela pode conquistar as pessoas. Veremos."

Já Sophie Bangs vive em um futuro um pouco distante, em meio a carros que voam, grupos de super-heróis "comportadinhos", policiamento ostensivo e gibis com nomes como "Gorila Chorão" ("*soluço* a vida moderna me faz sentir tão solitário!"). Pesquisando sobre Promethea para um trabalho final de escola, ela revive a heroína e inicia uma série de aventuras.

O sempre excelente texto de Moore com a nada convencional arte de Williams III garantem uma ótima história - o negócio é acompanhar para ver como será o desenrolar. Mas, pela fama da série lá fora, o material todo deve ser muito bom.

Na seqüência, mais uma boa história de John Constantine, embora cheia de referências que podem confundir os leitores que não conhecem bem o personagem. Nenhuma história tão boa quanto a de Ellis na edição anterior, porém intrigante para quem leu edições anteriores de Constantine.

Planetary dá prosseguimento ao mistério que circunda a série - e sua publicação aqui no Brasil. Afinal, será lançada em revista isolada ou continuará dentro da Pixel Magazine? A história é boa e a arte de Cassaday, como sempre, é fantástica. Mas nada se esclarece e essa indefinição quanto ao futuro da série é inquietante.

Por fim, temos duas historietas de Alan Moore bastante engraçadas e gostosas de ler, um bom fechamento, leve e irônico, para uma revista com histórias mais "pesadas" como Constantine e Planetary.

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@ 12.7.07 23:23

Por Neil Gaiman
436 páginas, Conrad Editora

Neil Gaiman é um autor que a gente não deveria ter que apresentar, mas é recorrente encontrar pessoas que jamais ouviram falar deste inglês genial. Gaiman é responsável pela revitalização e reinvenção de um título de quadrinhos chamado Sandman, criando uma história premiadíssima, que o alçou ao "estrelato" dos quadrinhos. Já há algum tempo Gaiman vem trabalhando com os livros e neste Deuses Americanos podemos ver que ele não perde nada na passagem de HQ para livro.

Atualizando e navegando por diversas mitologias, Gaiman cria uma guerra entre os antigos deuses e os novos - deuses da mídia, dos automóveis, dos aviões - enquanto acompanhamos a busca de um homem chamado Shadow.

Durante suas andanças em busca da verdade sobre quem é e no que está metido, Shadow é acompanhando por sua mulher - ressuscitada temporariamente dos mortos - e um homem misterioso chamado Wednesday, que busca aliados entre os deuses antigos para a guerra que virá.

O leitor é apresentado a diversas divindades e aos seus destinos no mundo moderno, como sobrevivem mesmo praticamente esquecidas e certamente não mais reverenciadas. Os personagens, situações e cenários são excelentes e Gaiman conduz a trama de forma hábil - embora em alguns momentos um pouco cansativa - para um final surpreendente.

Um livro que reflete sobre como nosso mundo tem mudado de forma demasiado rápida e sobre tudo que deixamos para trás no meio dessas mudanças todas, incluindo nossa identidade e nossas esperanças. Recomendado.

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@ 6.7.07 12:45
Por vários autores/artistas
96 páginas, aproximadamente, Editora Pixel Media

A Pixel Magazine - revista de "apresentação" (ou revista "balão de ensaio") dos títulos de que a Pixel dispõe de direitos para publicação - firma-se como uma revista agradável, interessante e variada.

Neste número, temos uma apresentação convincente de "Fábulas", série premiadíssima lá nos EUA, que chegou a ser comparada com o Sandman, de Neil Gaiman - exagero, em minha humilde opinião.

Apesar de não ser tão genial quanto Sandman, a história nesta edição é uma excelente e inspiradora leitura. A revista continua com uma história curta de John Constantine, escrita por Warren Ellis, de horror psicológico, um dos pontos altos de Ellis.

Na seqüência, uma história de Planetary, que não explica nada e apenas atiça a curiosidade para a série. Aliás, esse foi um dos pontos baixos da edição, embora a história em si seja boa, ela é claramente um ponto de ligação entre histórias e não "fecha", ao contrário da história de Fábulas e de Constantine, fugindo ao propósito declarado da revista.

Por fim, temos uma história curta e ingenuamente divertida de Cobweb, por Alan Moore e sua agora esposa Melinda Gebbie, seguida de uma matéria tergiversando sobre os futuros lançamentos da Pixel. Resultado final: a Pixel Magazine continua na minha "lista de compras" de HQs mensais.

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@ 5.7.07 12:10

Por Alfredo Castelli (texto) e Lucio Filippucci (arte)
50 páginas (aprox.), Editora SAF Comics/Mythos Editora

Mystère teria sido um personagem criado por Paul Deleutre (sob o pseudônimo de Paul D'Ivoi) que teria conhecimentos exóticos e viveria fantásticas aventuras em todo o mundo ao lado de seu jovem e desastrado assistente Cigale.

Os quadrinhos extrapolam o conceito, reaproveitando - e satirizando - clichês da literatura de aventura fantástica. A narrativa irônica de Castelli em perfeita fusão com a arte "ingênua" de Filipucci ajudam ao efeito cômico e aventuresco.

Nos dois volumes lançados até o momento, vemos repetidas vezes Cigale amparar - em momentos de perigo - as madames e senhoritas que requisitam os serviços do famoso detetive, não sem deixar de apalpar seus seios ou olhar suas roupas íntimas. A série satiriza de Sherlock Holmes e Peter Pan até Star Wars e Jornada nas Estrelas, passando por H. G. Wells e E. T. A. Hoffman - e isso apenas em dois volumes!

A edição bem cuidada graficamente pela Mythos apenas adiciona valor a esta HQ, minha única "crítica" sendo o valor final, que poderia ser reduzido em 2 ou 3 reais, certamente ampliando o público potencial. Um fator extremamente positivo é o conceito de publicar uma história completa por edição, mesmo havendo alguma continuidade.

No volume 1 vemos o detetive e seu ajudante chegarem a Madri em seu "hotel elétrico" para ajudar uma dama cujo marido, construtor de um metrô subterrâneo "ecológico", desapareceu. Na investigação, Mystère enfrenta seu arquiinimigo, que manipula e ajuda um grupo de chineses a ressuscitar um dragão que dormiria sob a cidade.

No volume 2, Mystère e Cigale embarcam na primeira viagem tripulada para a lua, onde descobrem... que a lua é habitada e freqüentada, já, por seres humanos! Mystère tem o dissabor de saber que seu arquiinimigo não morreu, mas encontra-se na lua aliado aos habitantes da "face escondida" do satélite no planejamento de uma invasão à Terra.

Diversão garantida, sem compromisso e nem profundidade, com muita ironia.

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@ 19.6.07 23:04

por Virginia Woolf, tradução de Cecília Meireles

Woolf foi realmente uma grande escritora - tendo Cecília Meireles como tradutora, tudo fica ainda melhor. O livro vem em um crescendo, utilizando cada página e cada fase do personagem como marcadores e indicadores de para onde o livro caminha.

Há algum exagero em algumas partes, um excesso de lirismo, talvez, mas até o momento a leitura não é pesada, nem deixa de ser instigante saber para onde é que vai o tal Orlando em suas desventuras.

O livro tem um pé na literatura fantástica (ou de fantasia) e outro na psicologia de seus personagens - não me admira que ela fosse leitora voraz dos russos. Todos os personagens estão nús: sob a lente de Virginia, ninguém tem segredos ou, antes, apenas os segredos que ela mesma não quer revelar, que deixa acontecer conforme o momento.

Por fim, algumas frases/passagens excelentes, que eu gostaria de marcar para relembrar:

"(...)A quem havia amado, que havia amado até ali? perguntava a si mesmo, num tumulto de emoção. E respondia: uma velha, que era só pele e ossos. Inúmeras rameiras de faces pintadas. Uma gemedora monja. Uma aventureira implacável, de lábios cruéis. Uma sonolenta massa de renda e etiqueta. O amor não tinha sido para ele mais do que serradura e cinzas. AS alegrias que lhe havia oferecido eram extremamente insípidas. Espantava-se de o ter podido suportar sem bocejos.(...)"
Pág. 22

"(...)Aqui viveram, por mais séculos do que posso contar, as obscuras gerações da minha própria obscura família. Nenhum desses Ricardos, Joões, Anas, Elisabetes, deixou atrás de si um testemunho individual, embora todos, trabalhando juntos, com suas pás e suas agulhas, seus amores e suas maternidades, tenham deixado isto.(...)"
Pág. 58

"(...)Qual o êxtase maior? O da mulher, ou o do homem? Não serão talvez o mesmo? Não, pensava, este é o mais delicioso (agradecendo ao capitão e recusando); recusar e vê-lo entristecer. Bem, aceitaria, se ele o desejava, um pedacinho pequenino, o menorzinho possível. Isto era a coisa mais deliciosa: ceder e vê-lo sorrir. 'Pois nada', pensava, voltando ao seu lugar no convés, e prosseguindo seu raciocínio, ' é mais divino do que resistir e ceder, ceder e resistir'(...)"
Pág. 86

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@ 18.6.07 01:48

Por Grant Morrison (texto) e vários artistas
Aprox. 100 páginas por edição (200 páginas até agora), Editora Panini Comics/DC Comics

Que Morrison é louco, isso é de conhecimento geral de quem curte quadrinhos. Agora, 7 Soldados da Vitória é um "tour de force" de loucura, jogando a criação de um grupo de heróis "fracassados" (tanto em vendas quanto nos quadrinhos) em histórias separadas, que vão lentamente (até o momento) se entrelaçando.

A primeira edição é bastante confusa, com a tentativa inicial de criação de um grupo e subseqüente dispersão do mesmo. A segunda edição começa a dar linha para algumas das idéias iniciais, gerando curiosidade e interesse pelo restante da história e fazendo valer o investimento.

Os personagens mais interessantes até o momento são Zatanna - que já era interessante quando participou de "Livros da Magia", entre outros - e Misty, sua aprendiz; o Cavaleiro Andante e Klarion, o menino-bruxo. O submundo no universo do "Guardião" é interessante, também, mas algo ainda a avaliar.

Vai ser interessante ver o que Morrison faz com essa salada de personagens, estilos e histórias e como tudo isso vai se integrar em uma série só.

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@ 01:11

Por vários autores
90 páginas, Editora Pixel

A Pixel Magazine é como uma revista de "apresentação", reunindo histórias "fechadas" e isoladas de diversos universos publicados pela editora.

Nesta edição, uma história bastante original com John Constantine, uma história interessante com o nem sempre bom "Sandman original" (Weasley Dodds, que usa uma máscara e usa um gás do sono para prender bandidos), uma história forte e intrigante de "Planetary", da dupla Ellis & Cassaday, com o adendo ótimo do maluco Grant Morrison e seus Invisíveis, além de duas histórias curtas no "universo" criado por Neil Gaiman, no sonhar, uma com Morte e outra com Nuala, a ex-amante do ex-Lorde Moldador...

Tudo muito confuso? Muitos nomes? Vale a pena correr nas bancas, que até sexta ainda tinham esta edição da PM, e comprar - você leva algumas horas de diversão das boas, sem ter que ler zilhões de quadrinhos depois para situar-se na "cronologia".

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@ 00:11

Veja Também:
Scarium
Por diversos autores
70 páginas, Scarium

Uma das mais bem-sucedidas revistas de Ficção Científica & Fantasia nacionais, com mais de 5 anos de estrada, tem nessa edição comemorativa de aniversário um de seus pontos altos.

Além dos contos excelentes - incluindo uma nova tradução de Poe pelo editor, Gabriel Boz - a revista foi responsável por acender uma enorme celeuma no "gueto" da FC nacional, com o artigo bombástico de Alexander Lancaster e Ana Cristina Rodrigues.

Os adjetivos acima não são exageros - ao menos se considerarmos as reações ao artigo. Vi e ouvi, ao vivo e a cores, a revolta, mágoa e indignação de muitos que levantaram vozes - e digitaram furiosamente ao teclado - contra o texto.

Polêmicas à parte - abordarei isso de outra forma, em outro espaço - a revista firma-se como uma referência de FC&F no país, capaz de mexer com o gueto de fãs e esgotar uma edição, feito que não é para qualquer revista.

Não recomendo apenas a Scarium 19, mas sim a assinatura completa da revista. Não é muito dinheiro pelo retorno em diversão, conhecimento e - até - polêmica!

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